Buscar
  • Maria Eduarda Oxley

Ser firme e gentil: É possível incluir esses dois componentes na educação dos filhos?

Se eu te disser que o caminho é mais difícil mas vale a pena, você acreditaria? Os filhos, independente da fase de desenvolvimento que estão, necessitam de uma educação clara e que possibilite autonomia para crescer. Não existe nenhuma ferramenta mágica, mas posso te adiantar algo básico: nenhum obstáculo é tão grande para uma criança que sente-se amada.


Rudolf Dreikurs trouxe o conceito da importância de ser gentil e firme na educação nas relações com os filhos. Gentileza demonstra o respeito e firmeza para respeitarmos a nós mesmos como adultos e conforme a necessidade da situação. Alguns pais confundem firmeza com punição. A educação eficaz à longo prazo não é uma educação castradora, com castigos.


A firmeza se dá a partir do momento em que se possibilita à criança espaço para escolher, escolhas que também são boas para o adulto. Ser firme é entender o que é certo para você (mãe, pai, cuidador) e tentar inserir no meio da criança de uma forma que ela possa se sentir validada, por exemplo: “Filho, você não pode pular no sofá, mas você pode brincar com aqueles 3 potes da mamãe que estão ali ou pegar seus brinquedos no quarto de brinquedos, o que você prefere?”. Esse tipo de comunicação gera autonomia, ao mesmo tempo que o adulto está sendo justo com a organização e responsabilidade familiar ele também está inserindo o filho na decisão, fazendo com que ele se sinta parte do processo.


Uma razão pela qual os adultos apresentam dificuldades em adotar os conceitos de firmeza e gentileza, por vezes, é pelo fato de realmente não saber como funciona ou como fazer. Tentam colocar em prática uma ou duas vezes, não percebem resultado imediato e desistem por estarem presos no ciclo vicioso de serem muito firmes quando estão irritados e após serem muito gentis para compensar o excesso de firmeza anterior.


O momento de irritação/birra é a pior hora de resolver qualquer problema. Muitos dos pais se perdem nesse quesito, estão chateados e querem achar uma solução. Quando as pessoas estão nesse estado (irritado, estressado, triste) acessam seus cérebros primitivos, para os quais as únicas opções são brigar (lutas por poder) ou fugir (desistência e falta de comunicação). Portanto, a única medida sensata nesses momentos, é se acalmar até que você consiga acessar o seu cérebro racional e entender o que você pai/mãe/cuidador quer fazer ao invés de obrigar a criança a fazer algo que você nem sabe direito se é ao certo o que deve ser feito. Isso se chama respeito = gentileza.


O primeiro objetivo/necessidade de todos os seres humanos desde o nascimento é a atenção, então lembre-se quando a criança entende que está sendo ouvida e acolhida ela se sente pertencente e colabora no processo, então antes de dar ordens, certifique-se se essa criança está se sentindo encorajada. Uma criança sem autoestima e sem um apego seguro não tem a capacidade de fazer escolhas inteligentes, nem para ela e muito menos para o adulto.


Aos pais, independente dos perfis e do funcionamento que tenham (normal existir uma pessoa (mãe/pai) mais firme e outra (mãe/pai) mais gentil, o primeiro passo é a conexão com o seu filho, a partir dela entendam as necessidades da família e após isso criem regras, hábitos, costumes em que esses filhos se sintam em movimento, assim como vocês.


“As crianças começam a fazer melhores escolhas de comportamento porque isso passa a fazer sentido para elas e porque faz bem ser tratado com respeito e tratar os outros com respeito.” – Jane Nelsen| Disciplina Positiva


Texto por Maria Eduarda Oxley, psicóloga clínica, especialista em casal e família e mestranda em saúde e comportamento na UCPEL. Para conhecer mais o trabalho da Maria, siga o instagram @mariaeduardaoxley


Referências:

Dreikurs, Rudolf. Social Equality: The Challenge of Today. Chicago: Contemporary Books,1971.

Nelsen, Jane. Disciplina Positiva, 2015.



18 visualizações0 comentário